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Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."

Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."

Quando frequentava o ensino básico (especialmente no 8º e 9º ano) tinha sempre comigo os chamados "amigos": mesa dos populares cheias de raparigas e rapazes que se apresentam bem, que fazem as actividades que estão mais na moda e que são admirados pelos restantes alunos. Por vezes, era comum haver pequenos namoricos ou formavam-se casais só para a admiração dos outsiders ser ainda maior. E aqui eu declarava que tinha amigos para a vida e afins...

 

Quando frequentava o ensino secundário, fiz parte da associação de estudantes que foi vencedora por três anos consecutivos, o grupo de amigos aumentou bastante, passei por ser rotulada de rebelde (cabelo vermelho, roupas pretas e rasgadas e por aí fora). Fizemos uma viagem de finalista fora do comum, ficamos conhecidos por termos feito uma "pequena explosão" nos laboratórios durante o protesto e éramos, basicamente, rotulados de heróis para os mais novos e um pesadelo para professores e companheiros. A descrição sempre foi o meu forte e muitas vezes eu passava por ser a inocente na maioria dos episódios, tinha boas notas e bons trabalhos escritos e argumentava nas aulas como ninguém. E aqui eu declarava que tinha amigos para a vida e afins...

 

Quando frequentei os primeiros três anos de licenciatura, fui presença nas praxes (sempre que possível), continuei a vertente de rebeldia no primeiro ano (poucas presenças nas aulas, mas notas sempre altas), gostava das noites académicas e queima das fitas então é que era uma loucura. Os amigos do ensino básico e secundário esfumaram-se praticamente todos (cada um foi para o destino escolhido - universidades diferentes, trabalhar, estar no desemprego, entre outros) e, em troca, encontrei uma pessoa que de imediato senti que era uma irmã para mim, apaixonei-me e achava que tinha, finalmente, encontrado uma segunda família (aquela que escolhemos, não a que nos é imposta). Em dois anos e pouco tudo isto descambou: zangas, roubos emocionais, perdas de tempo, egoísmo e por aí fora. Aqui foi quando declarei que os amigos nunca são para a vida e sim para as ocasiões e pensava que não valia a pena desperdiçar o meu tempo com fantoches.

 

Agora no mestrado, penso de forma diferente, pois cresci emocionalmente. Sei que as minhas novas companheiras de turma provavelmente não vão ser amigas para toda a vida (até porque a maioria são mais velhas do que eu e tem vidas completamente diferentes da minha), mas aproveito todos os momentos que tenho para absorver conhecimento com elas e partilhar experiências de vida. Tenho a maturidade suficiente para perceber que apesar de as adorar, vou compreender que as circunstâncias da vida um dia vão-nos separar, mas nunca totalmente...tenho aquele sentimento que no futuro bastará um telefonema e estas pessoas estarão sempre disponíveis para tudo. Aprendi que amigos verdadeiros envolvem companheirismo e ajuda mútua e não tardes passadas no café a olhar para o tecto e a ter conversas sem nexo algum, bem como aprendi que existem sim amigos verdadeiros e leais. São aqueles que não nos cobram presenças constantes, mas que sabem estar quando são precisos. Podem não ser em grande quantidade, mas são de ouro. O ser humano está sempre em constante aprendizagem...o mais rico dos conhecimentos é quando valorizo aquele que está sempre presente e que, acima de tudo, é o meu melhor amigo, amante e o meu maior tesouro. Aqui declaro, aos 22 anos, que sou uma mulher feliz. 

 

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