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Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."

Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."

A escuridão tornou-se a sua companheira. As lágrimas, o isolamento social, a dor de pensar. Tudo o que ela mais temia tornou-se realidade: voltou ao ponto de querer saltar para um poço e, simplesmente, extinguir-se. É estranho saber que todos os dias consegue arranjar forças para sair da cama, mesmo que com gestos mecânicos, tomar o pequeno almoço e seguir com a sua rotina. Os sorrisos de outrora, a confiança, a alegria de viver esfumaram-se. Deram lugar a uma mulher com aspecto derrotado, exausto, com um olhar vazio. Abre o portátil e depara-se com antigas fotografias, retratos das pessoas que a colocaram num vazio: pessoas essas que estão felizes e deixaram para trás uma pessoa a sangrar.

Ela sou eu.

Não estou a conseguir esquecer e seguir em frente. A minha vontade de lutar fugiu dos meus sentimentos e eu própria já nem me reconheço. Onde está aquela rapariga entusiasmada com a vida? Ansiosa por viver aventuras com a segunda família que escolheu na universidade? Aliás, onde está essa família? Aqueles que prometeram amizade e honestidade? Tantas perguntas. Nem revoltada consigo estar, não consigo estar nada. Eu não sinto nada, porque sei que se permitir que os meus sentimentos venham ao de cima, eu não vou ter a capacidade de lidar com eles. Tranquei o ódio, a raiva, a dor, a mágoa com uma das maiores máscaras de insignificância que já usei até hoje. Vou arrastando os pés, sorrindo em vazio, porque nunca pensei passar por tantos obstáculos. O segundo ano de faculdade foi o pior a nível sentimental, mas nas férias sentia-me pronta para recomeçar de novo, supostamente com aqueles que eu considerava meus amigos. Queria consertar as coisas, lutar pela união antiga...até aquele sábado fatídico. A verdade que eu sempre neguei rasgou-me por dentro. Não foi uma facada nem um tiro, mas sim o arrancar de um coração. Eles estão juntos, a C. sempre gostou dele, mesmo quando tu dizeste-lhe que também gostavas dele...Como me pudeste mentir tanto? Partiste e deixaste aqui uma pessoa que anda cheia de remorsos por te ter magoado, mesmo sem saber que o estava a fazer. Nunca uma relação me causou tamanha confusão emocional; sinto-me feliz por saber que vocês estão bem, mas sinto-me miserável por ter andado a impedir o início de uma história de amor, mesmo de forma inconsciente. Não consigo entender como passaste no meio das trincheiras sem nenhum dano e deixaste-me para trás, como um mísero farrapo. Nunca vou perdoar a tua atitude cobarde, pois é graças a ela que estou assim, sem essência. Escondeste-te atrás de mensageiros, massacraste uma relação e nem te importaste com os danos que semeaste. Eu nunca te vou perdoar, isso tenho a certeza. Espero que com o meu sacrifício tenhas aprendido uma lição valiosa e espero que nunca te façam o mesmo, que te deixem sem respostas, sem rumo, humilhada e destruída. Sempre disse que os meus amigos eram a minha segunda família, a família que eu escolho e o teu segredo foi a ruína do nosso grupo. O melhor é mesmo estarem longe, porque o tempo cura tudo...e eu só espero que no segundo semestre eu esteja bem e que quando cruzar contigo, a ferida não se lembre de abrir novamente. Só quero ter a capacidade de olhar para os meus pés e seguir em frente, sem olhar para trás. É apenas mais um fantasma e eu sou uma adulta: posso estar assim agora, mas mais dia ou menos dia eu vou ter a capacidade de destrancar os conflitos emocionais e estrangulá-los...porque posso não saber muitas coisas, mas sei que ninguém merece a minha alma. Essa é destinada a Deus, quando chegar a minha hora.

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