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Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."

Endless Words

"Escrever é como abrir gaiolas: coloco as palavras em ordem, descubro a senha do cadeado, liberto os pássaros. E os sentimentos."


Combate: sentimentos VS. memórias.
Quando entrei para a faculdade, estava de rastos. Sentia-me um farrapo humano, a sangrar. Confiei numa pessoa que prometeu que nunca me desiludiria e que, apesar de saber que eu era frágil e que tinha um passado sombrio, traiu-me da maneira mais reles que eu já vi até hoje. Ficou-me cravado na memória a maneira como me partiste o amor, o carinho, a estima e a confiança por ti. No primeiro dia de aulas acreditava que a palavra «amo-te» era estúpida, nojenta e carregada de dor. Custou ver que o nosso plano de sermos caloiros juntos, de irmos à nossa primeira serenata, de irmos viver juntos esfumou-se da tua memória quando resolveste apunhalar-me. Fizeste com que eu me fechasse para o Mundo Real, porque eu já tinha muitas companhias, memórias desagradáveis: os fantasmas do meu passado. Prometi que iria acabar os dois primeiros anos de licenciatura e depois iria estudar para o estrangeiro ou para uma faculdade fora do Porto. Não me queria apegar a ninguém, sendo que não falava com ninguém da minha turma e passava os meus intervalos com auriculares nos ouvidos para não dar a oportunidade a ninguém de falar comigo. Passei dois longos meses nesta miséria, até o R. e a M. terem-me resgatado das sombras e quebrado aquela faceta de durona que tinha. A partir desse momento, aprendi a sorrir novamente, vivi a minha vida de caloira, trajei pela primeira vez, fiz novos amigos e apesar de todos as quedas que tive, consegui sempre levantar-me, desinfectar as feridas e sorrir, como uma criança travessa que esfola os joelhos. Mas agora o meu coração teima em querer sentir, em andar confuso e palpitante. E não falo do N., porque apesar de todas as peripécias, temos conseguido caminhar lado a lado. Conheci uma pessoa nova que anda a fazer-me questionar se vale a pena abrir novamente o coração, se vale a pena confiar novamente a esse nível...eu gosto muito, mas mesmo muito dele, mas as minhas memórias andam a misturar-se com os meus sentimentos, numa luta aonde eu ainda não vejo o fim. Se o passado é passado, porque gosta de me atormentar tanto o presente? Serei eu uma pessoa cobarde? Sim, admito que sim. O meu sentido de auto-preservação nem sempre me deixa ser feliz, mas foi o mesmo que me manteve sã e feliz durante este tempo todo. Ele pede-me que eu confie nele, porque pensa que eu não confio. Mas está errado, porque não é uma questão de confiança, mas sim de insegurança, medo de sofrer e, principalmente, não querer ver novamente o lado negro do amor. Preciso de luz, de clareza, porque não sei que rumo seguir. I'm lost.

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